“Finalmente” é uma palavra que tem caído bem ultimamente. Estamos na fase chamada de “Qualificação” do Tabalho de Conclusão de Curso na UFPR, na qual tivemos que terminar uma versão preliminar na monografia e da Graphic Novel. A monografia pode ser baixada AQUI e a Graphic Novel pode ser baixada AQUI. Seguem abaixo algumas fotos do protótipo impresso do primeiro volume da Grpahic Novel “DASEIN: o ser e a essência”:
A experiência que tivemos com o desenvolvimento deste trabalho tem sido até então bastante gratificante, porém deveras frustante em certos aspectos. Há uma profusão de pensamentos que têm valor apenas para nós que estamos por trás do projeto, mas apenas alguns poucos destes pensamentos acabaram tendo força o suficiente para atuar por meio da repercussão e reflexão, ou seja, para conquistar o interesse do leitor depois de escritos. Isso ficou bastante evidente na avaliação e interpretação por parte de nossos orientadores e até por parte dos demais professores que viram nosso projeto.
Para a imensa maioria dos artistas, sua arte é (ou deveria ser) um meio e não um fim. Pois tudo o que realiza em função de outra coisa é feito apenas de maneira parcial, sendo que a verdadeira excelência só pode ser alcançada, em obras de todos os gêneros, quando elas foram produzidas em função de si mesmas e não como meios para fins ulteriores. Da mesma maneira, só chegará a elaborar novas e grandes concepções fundamentais aqueles que tenha suas próprias idéias como objetivo direto de seus estudos, sem se importar com as idéias dos outros. Entretanto os professores, em sua maioria, estudam exclusivamente com o objetivo de um dia poderem ensinar e escrever novos artigos. Assim, o processo se torna semelhante a um estômago e a um intestino dos quais a comida sai sem ser digerida. Justamente por isso, seu ensino e suas referências bibliográficas tem pouca utilidade. Não é possível alimentar os outros com restos não digeridos, mas só com o leite que se formou a partir do próprio sangue.
Deixando a opinião pessoal e o desabafo de lado, fato é que a maioria das pessoas que se depararam com o nosso projeto o avaliaram unicamente pelo protótipo impresso, como se isso envolvesse todo o processo percorrido pela equipe. Etapas importantes como a pesquisa teórica, a criação de um modelo analítico inédito, o estudo de casos, o trabalho com os modelos vivos e o próprio labor exigido na elaboração dos desenhos não foram levados em consideração. Desse modo, o protótipo impresso, embora represente de certa forma o resultado deste trabalho, tem sido considerado insuficiente por parte dos docentes envolvidos, uma vez que se trata de um trabalho de graduação realizado com 3 pessoas. Provavelmente será exigido a produção de no mínimo mais um volume da história, com a mesma quantidade de páginas, dentro das 3 semanas que restarão até a Defesa final do TCC. A produção do protótipo, desde o fechamento de arquivos até a impressão, não demandou mais do que 3 ou 4 dias. Entretanto, para desenhar uma única página da Graphic Novel, após a fotografia dos modelos e da diagramação, eram necessários no mínimo 3 dias de trabalho.
Evidentemente nenhum de nós tem experiência no ramo dos quadrinhos que, provavelmente, exige muito mais agilidade na produção. Porém, o fato é que o nosso objetivo inicial restringia-se somente no aprendizado acadêmico. A conclusão que podemos tirar agora é que a política do curso de Bacharelado em Design Gráfico na UFPR se configura em exigir do aluno um esforço um pouco além de suas capacidades: se ele consegue desenhar um boneco palito em uma semana, exige-se dois bonecos palitos em uma semana; se ele consegue desenvolver um filme da Pixar em um ano, exige-se dois filmes da Pixar em um ano. Se isso é certo ou errado pedagogicamente, não convém a nós julgarmos, mas o que se observa é que isso estimula a entrega do trabalho em “última hora”, produzindo-o apenas para ser entregue. Talvez seja este o motivo que explique o fato de que a maioria das outras equipes entregou a monografia pela metade, faltando todo o desenvolvimento para ser feito nas últimas 3 semanas. Talvez isso realmente fosse o mais sensato a ser feito, já que de qualquer forma será exigido o dobro do trabalho para que seja considerado “suficiente”.
Não podemos dizer que finalizamos de fato o projeto, ainda há uma jornada corrida até a defesa final prevista para novembro deste ano. Entre outras coisas, será preciso corrigir e revisar a monografia e desenvolver alguns materiais extras como o banner, o vídeo de apresentação e o site de divulgação do projeto. No entanto, produzir um novo volume até novembro, embora não seja completamente impossível, é algo que não apenas vai contra os nossos objetivos primeiros, como também nunca seria feito com a mesma dedicação.
Por outro lado, se observarmos a quantidade e a variedade dos estabelecimentos de ensino e de aprendizado, assim como o grande número de alunos e professores, é possível acreditar que hoje a informação é muito mais valorizada do que a instrução. Deixando de lado a necessidade financeira inerente a todos, nota-se que os professores não se esforçam pela sabedoria, mas pelo crédito que ganham dando a impressão de possuí-la. E os alunos não aprendem para ganhar conhecimento e se instruir, mas para poder simplesmente ser aceito na sociedade e ter uma opinião. Ou seja, o que vejo hoje são pessoas que não sabem nada e agora devoram os resultados do saber humano acumulado durante milênios, de modo sumário e apressado, depois querem ser mais espertas do que todo o passado. Não ocorre a eles que a informação é um mero MEIO para a instrução, tendo pouco ou nenhum valor por si mesma. Diante da imponente erudição de tantos doutores e pós-doutores, sempre digo que essas pessoas devem ter pensado muito pouco para terem tempo de ler e escrever tanto. Assim como as atividades de ler e aprender, quando em excesso, são prejudiciais ao pensamento próprio, as de escrever e ensinar em demasia também desacostumam os os homens da clareza e profundidade do saber e da compreensão, uma vez que não lhes sobra tempo para obtê-los. Com isso, quando expõe alguma idéia, a pessoa precisa preencher com palavras e frases as lacunas de clareza em seu conhecimento. É isso, e não a aridez do assunto, que torna a maioria dos trabalhos de graduação, assim como a maioria dos demais trabalhos acadêmicos e científicos, tão entediante.